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The four hundred

Já faz um tempo que escrever tem sido difícil para mim. A sobrecarga de tarefas da rotina, a ausência de governo e economia no país, a tristeza dos arredores cada vez que eu saio na rua e vejo mais gente sem ter o que comer e onde morar. Isso tudo e mais problemas tem acabado com minha vontade de escrever. E até de pensar, ás vezes. 

Mas mesmo não escrevendo muito ultimamente, recebi de amigas vários convites para um evento de escritoras. No começo hesitei, não tenho me sentido escritora, mas elas me lembraram do tanto que já escrevi antes. Me lembraram que isso ainda está em mim e que eu pertencia sim, ao grupo. E olha, que grupo. 

Reunidas num domingo de manhã na Praça Charles Muller, que já foi cenário de muita cena de terror, cerca de 400 mulheres escritoras estiveram juntas para dizer: Viva a escrita feminina. Por muito tempo as vozes femininas não foram ouvidas e estivemos lá em peso para mudar essa situação. Enchemos a Praça de força, poder, energia, protesto, crianças, cachorros e emoção de arrancar suspiros e lágrimas e arrepios. 

E ali, sentada na arquibancada do Estádio do Pacaembu e rodeada de mulheres que não se calam, eu percebi que é nas piores situações que falar (e escrever) é mais importante. É preciso voltar, e fazer desse um exercício frequente, para que se torne uma ferramenta de conforto em meio ao caos. Assim como cozinhar. 

foto de Mariana Vieira, na FSP

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