Trapaça

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Trapaça

Quando eu cheguei na internet era tudo mato. Sério, mato mesmo. Capinei no Geocities  arranquei erva daninha na Mandic, entrei de foice pra ler contos eróticos com as outras adolescentes no Video Texto da Telesp (que nem internet era ainda gente, e eram contos ótimos), cadê meu certificado de dinossaura brother?

Comecei a escrever no Mixirica em 2002, quando nem o termo blog era difundido. Pode me chamar de velha, nem me ofendo. Mas sim, vivi o boom dos portais, da internet, dos banners, dos publieditoriais, do meu blog, que foi hospedado em portal e tinha milhões de acessos (milhões mesmo, não é figurativo). Quebramos a internet algumas vezes com fotos de comida extremamente apetitosas na home do Uol na hora do almoço. True story, tenho provas no meu e-mail.

Tudo isso para explicar que: vi os blogs nascerem, crescerem e entrarem em um plateau. Na época em que as fotos começaram a tomar o espaço dos textos (oi Instagram, oi Tumblr) eu lembro de um post que me marcou muito. Nele o Matt Armendariz, que eu seguia e sigo até hoje (hoje só no instagram, cof cof) dizia: UM POST DE BLOG SÓ COM FOTO É TRAPAÇA.

Se é ou não, hoje é controverso – afinal há blog só de fotos, tivemos fotologs, ninguém quer ler mais nada – mas na época aquilo me atacou. Doeu. Vesti a carapuça. Chateei (e nem existiam hashtags ainda para eu comentar #chatiada no post dele). Aquilo me afetou tanto que travei. E pesou em mim a responsabilidade de escrever um post de blog de comida, com história, com emoção, com receita, com tudo aquilo que desbravei e fiz por anos mas que depois que minha vida tomou outro rumo eu não tinha mais tempo e nem tesão de fazer.

E por isso, aqui não tenho mais fotos. Deixa as fotos pro instagram. Aqui só vai ter post sem trapaça.

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