Mãe de humano

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Mãe de humano

Dia das mães hoje e como tudo nessa época pós-apocalíptica que vivemos só é válido se tiver muita treta e lacração, a internet discutia uma campanha publicitária que falava sobre ser “mãe-de-planta”. Eu ia simplesmente ignorar e aproveitar o dia das mães, mas aí – enquanto lavava louça – lembrei.

Quando soube que estava grávida me bateu aquele pânico básico, aquela crise de nervos e taquicardia intensa que faz parte de uma notícia desse porte. E eu só pensava em como todas as últimas 23432 plantas da minha casa tinham morrido. Eu temia não ter competência para o cargo, já que eu não conseguia nem manter uma planta viva. Mas como escolhi ser mãe, respirei fundo, aguei as plantas e segui.

E mesmo antes da Alice nascer já percebi que não precisava me preocupar com a sobrevivência dela, os chutes que eu levava por dentro de mim no meio da noite já me garantiam que ela eu nunca esqueceria de aguar.

Planta não chora, planta não pede, planta fica doente e morre e você troca por outra. Filho chora. E chora assim, pra caralho. Nos horários mais inconvenientes que você possa imaginar. Quando você está dormindo, no banho, fazendo cocô, cozinhando a comida dele mesmo, chora e reclama o tempo todo. Filho quando fica doente dói mais em você do que nele, e vendo a dor da criança tudo o que você quer é poder trocar de lugar com ele para que fique bem, você já está acostumada com dor, e você morreria por ele para ele viver mais e melhor do que você. Filho não se troca por outro.

E aos poucos, com tudo na vida, percebi que eu estava sendo idiota ao comparar planta e filho. E só quem claramente nunca conviveu com crianças pode fazer uma comparação besta dessas também. Feliz dia das mães, com amor e sem lacração, internet. <3

 

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