Fluxos de consciência

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Minha pia, minha vida

O tipo de sujeira da minha pia me traz (ou não) bem-estar. Doidera? Sim. Mas acompanha aqui meu raciocínio.

Estou de dieta. Nada muito radical, apenas algumas restrições de alimentos inflamatórios para tentar controlar melhor a rosácea que me afeta e tem estado ruim nos últimos meses. Mas alguns dos cortes foram alimentos animais gordos. Estou comendo apenas peixes e frutos do mar.

Além da melhora da pele (ufa) e de eu ter desinchado um pouco (consequências da alimentação) a principal diferença que notei na dieta foi minha pia. Muito mais agradável de limpar, tem dias em que só ligo a água quente e nem uso sabão.

A sujeira sai fácil, não gruda, posso deixar esperando algumas horas que o máximo de gordura endurecida que vai ter vai ser de um azeite aqui ou resto de salmão ali. E sabe o que eu penso: minhas veias e organismo devem estar mais limpos também.

Já cozinhou costela de boi? E deixou para lavar a louça depois e a gordura endureceu e virou uma crosta branca grossa e nojenta que você teve que derreter com água fervente ou não ia embora?

Agora imagina isso dentro de você, nas suas veias. Seu corpo não chega a cem graus para derreter aquela gordura toda.

E refrigenrante? Já viu aqueles videos de refrigerante desentupindo privada? Amolecendo ossos? Imaginou isso nas suas frágeis entranhas?

A próxima vez que for lavar a louça pense nisso. Imagina que o que sobrou ali na pia é o que vai estar dentro de você. Talvez ajude a se alimentar melhor. Sei que tem me ajudado muito.

Ouvi na feira

Escolhendo brócolis (estão caríssimos) na feira, ouvi o vendedor da banca conversando com o colega. Entre as salsinhas e as cebolinhas e as berinjelas fatiadas, ele dizia:

“- Aí ela me disse, é mano, mas cê não tem tempo de namorar. Fica aí cheio de coisa e não tem tempo pra namorar, como é que a gente vai fazer? Não rola.”

Eu te entendo amigo. Same here.

Só love, só love

Disclaimer: O post a seguir não tem nada a ver com comida. Ou tem, se formos levar em conta que para sair comigo a pessoa precisa estar disposta a conhecer todos os restaurantes da cidade, já que comer é – obviamente – meu passatempo preferido. Mas vamos lá.

Um dia me apaixonei. Aquela coisa louca, avoada, sonhadora, borboletas na barriga e euforia à toa. Fiz um playlist pensando nessa paixão. Tempo vai, tempo vem. A paixão passou, mas o playlist ficou.

Veio outra paixão arrebatadora e o playlist voltou às mais tocadas do radinho (no caso app, afinal 2019). Ganhou uma música ou outra que combinava com a nova personificação da paixão. Foi ouvido, dançado, celebrado, amado. E depois desamado. Essa foi fugaz e fugidia. Mas o playlist seguiu lá. Quietinho, esperando a próxima.

E esse ciclo se repetiu algumas vezes, e cada vez que voltava o sentimento, voltavam as músicas e as sensações e a vida ficava cheia de corações e borboletas.

Até que um dia me deu vontade de tocar o playlist da paixão mesmo sem paixão. E fui percebendo que as músicas não eram para fora de mim, eram todas só para mim. E que minha paixão vem de dentro, independente de ter alguém fora. E que o sentimento é tão intenso e lindo e forte como se fosse pelo outro. E quando você percebe isso, a necessidade de outro fica menor. E a carência some.

E estou há quase um ano solteira e mais feliz e apaixonada do que jamais estive. Por que sei que a paixão vive em mim. Solteira, mas nunca sozinha (cof, cof). Por que solidão eu nunca tenho (pudera, com filha, dois cachorros, dois gatos, a solidão é até celebrada por aqui em pequenas férias de isolamento total).

E é isso. Resolvi compartilhar essa paixão com vocês. Por que sei que muita gente ainda precisa perceber que o valor, a aprovação, a felicidade, a paixão, é tudo interno. Não é fácil de achar, mas está aí, e todo mundo tem e é infinito – diferente dos amores externos. Ninguém pode te dar e basta você querer buscar. Faz teu playlist de amor interno. E se convida pra jantar. <3

2 + 2 são o mundo todo

Anos atrás li um artigo, que não vou lembrar de quem nem do que era, mas em que o autor comparava cozinhar com costurar. Falava que conforme as roupas passaram a vir prontas as pessoas pararam de aprender a costurar. E ele apostava que o mesmo aconteceria com a comida. Quanto maior a industrialização menor o aprendizado.

Isso me assustou bagarai. Por que faz todo sentido. Eu não sei costurar. Compro roupa pronta por isso e nem quero aprender a costurar. Na economia atual e com o shopping aqui ao lado eu realmente não preciso costurar.

E vejo as pessoas ao meu redor que não sabem cozinhar fazendo o mesmo. Não aprendem a cozinhar porque não precisam. Compram pronto, pedem delivery. As embalagens e poluição e a ignorância sobre o que está dentro daquela comida são só um detalhe. O que importa é a conveniência. Do mesmo jeito que não sei que chinês maltratado costurou a minha roupa, ou fez meu telefone. A conveniência nos libera do trabalho, e também do conhecimento.

O que me faz pensar que: quanto mais industrialização, menos conhecimento.

Mesmo quem trabalha nas fábricas não precisa saber o processo todo, só precisa saber a função que exerce. Autômato, apertador de botão, recebedor de salário, comprador de comida pronta, de roupa pronta, vivedor de vida pronta. Não somos todos?

E acho também que o inverso é verdadeiro: quanto menor o conhecimento, maior a industrialização.

Quanto menos você sabe, menos irá questionar, e mais você irá comprar. Uma lindeza para a economia. E um desastre para a qualidade de vida e pro meio ambiente. Por que tu acha que querem tirar investimento de educação?

Começa em casa

Usar mel no rosto ao invés de máscara de farmácia: menos embalagem.
Usar levain ao invés de fermento pronto: menos embalagem.
Cultivar suas próprias ervas em vasos: menos embalagem e maior consciência natural.
Você pode, tenta.

© Mixirica. Tudo nosso.

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