PERGUNTATU

Minha grande amiga @trigasnails disse que sou boa conselheira. Acreditei. A partir de agora responderei às suas questões sobre comida, sobre produção e sobre a vida. Mande e-mail para td@mixirica.com.br que assim que possível, e se for adequado, responderei.

Para aquecer os motores, uma pergunta da própria manicure das estrelas: @trigasnails:

– “Que tipos de temperos um ser humano normal deve ter em casa, além de sal e pimenta, para as comidas não terem sempre o mesmo gosto todos os dias?”

Minha cara Daniellen,
Como já dizia aquele reclame da TV de algumas décadas atrás (talvez você nem fosse nascida ainda, minha jovem amiga) o tempero mais importante na comida é o amor. Não qualquer amor, mas aquele tipo que te faz levantar mais cedo da cama, que faz com que os dias pareçam mais ensolarados, que causa a ausência temporária do medo de errar.

Esse não é um amor romântico. Ele pode ser o amor pela receita que você quer fazer, o amor pelo ingrediente que você vai usar, ou até seu amor-próprio, que te faz cozinhar para si com afeto e alegria. Tenha esse amor na cozinha, beba dele, embriague-se. Sem medo de errar, de pileque de amor todas as receitas serão melhor temperadas.

Minha mãe já dizia que gente apaixonada salga demais a comida, e acho que deve ser por isso, por que perde as amarras, o comedimento, aquela insegurança burra que diz: só uma pitadinha disso.

ÀS FAVAS COM AS PITADINHAS, ouse, salgue, apimente, experimente ervas que você nem sabe que gosto tem. Vá ao mercado, cheire as ervas, tente imaginar com qual comida que você gosta aquilo combinaria. Adicione amor.

Além de amor, aqui em casa também costumo ter à mão salsinha fresca (coloco em tudo, inclusive os talos, dá cor e frescor e combina com tudo); páprica defumada (coisa dos deuses, quase um proto-barbecue, vai bem com tomates e todas as formas, carnes vermelhas, ovos variados); e tipos diferentes de pimentas (calabresa, do reino, rosa, uma ótima japonesa misturada com temperos secos). Garra naquela empolgação do amor e prove diferentes pimentas com diferentes comidas, vai ver que o mesmo filezinho de frango pode sair diferente toda vez, digno de look do dia.

Amor aos quilos para ti, maravilhosa.
Tatu

Carta para Dadi

Dadi querida,

Aquele sagu gelado de leite de coco e melancia não foi a única coisa refrescante do nosso almoço de hoje. A conversa sobre como precisamos voltar a escrever, eu aqui no Mixirica e você no Dadivosa, veio de encontro a mim como aquela brisa de fim de tarde na beira do mar: que chega de repente, arrepia, renova o ar, a esperança e as vontades todas.

Por isso resolvi escrever este post para nós. Para continuar a conversa boa e compartilhar contigo alguns pensamentos que compilei nas últimas semanas e que me trouxeram de volta ao computador. Todos se encaixam na frase: “Por que preciso escrever”.

Por exercício, para treinar a lógica, a memória, o foco, brincar de vocabulário e ir além da redação de e-mails e receitas para clientes. Para manter torneado o músculo da escrita, como me ensinou a maravilhosa Cris Lisboa.

Por que ajuda a organizar as ideias, a priorizar e mostrar o caminho mais lógico para transformar pensamentos em prática.

Para segurar por mais tempo um pensamento. Para que ele vire matéria, mesmo que em bytes. Por que o que vai pro papel (ou para a tela) deixa de ser massa cinzenta, vira vida.

Por que criar é mais prazeroso do que consumir. É abrir diálogos e ter espaço para compartilhar ideias, desabafar angústias e, por que não, catalogar receitas.

Para mim.
Para você.
Para quem mais quiser saber.

Em uma conversa que assisti na Primavera dos Livros semana passada, um dos autores presentes citou o livro da Carolina de Jesus. A Carolina escreveu o que se passava na favela do Canindé na década de 60. Mulher, negra, catadora de papel. Por que ela escreveu, as pessoas dos 13 outros países em que foram publicadas traduções do seu livro puderam imaginar o que é ser mulher, negra e catadora de papel na favela do Canindé. Coisa importante e sofrida de saber. O texto dela abriu mentes e promoveu mudanças.

Pode ser que minha vida não seja tão interessante quanto a da Carolina, mas criar uma filha, dois cachorros, dois gatos e dois sapos enquanto tento ganhar a vida cozinhando tem lá seus desafios. Vai que algum causo meu também tem o poder de abrir a mente de alguém? Mudar, mesmo que um cadinho só, um pedaço de mundo? Se eu não escrever a possibilidade não vai existir, e nós nunca vamos saber…

Por hora, é isso que tenho pra te dizer, minha amiga. E mesmo que ninguém leia a gente, eu estou aqui sabendo que minhas palavras vão sair do meu peito e chegar nos seus olhos, assim como as tuas chegarão aos meus. Então me dá aqui a mão, vamos abrir uma brecha nos nossos dias corridos para fazer ideias palpáveis e garantir nossa voz na posteridade. Estamos juntas nesse desafio de escrever.

Amor,
Tatu

mxc 14

14 anos já é adolescente, quase debutante, uma mocinha. Essa é a idade que o Mixirica completa hoje. Lembro do dia em que colocamos o site no ar, 22 de setembro de 2002. Só tinha textos longuíssimos, nenhuma foto. Subimos os arquivos e comemoramos com bellinis de tangerina.

De lá pra cá o site mudou muitas vezes. E eu mudei com ele (ou foi o contrário?). Há 14 anos eu não tinha casado, não tinha filha, não tinha plantado árvore e nem escrito livros. Hoje já casei, separei, pari, escrevi, abri empresa, fechei empresa, mudei de carreira e de vida. Mixirica ganhou textos curtos, fotos, receitas e segue uma metamorfose ambulante. Mas a comida – centro da minha vida e da dele – segue dando água na boca.

Obrigada leitores queridos, que como eu e o site também mudaram durante esses anos, mas seguem sentados à nossa mesa. <3

 

 

Como fazer amigos e influenciar pessoas

Auto-ajuda, um gênero literário controverso e mui vendável. Dizem que teve início em 1936 com a publicação de um grande clássico, o livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas” do Carnegie Hall, que vende mais que pãozinho quente até hoje.

Nesse livro Carnegie dá dicas de empatia, ensina técnicas de persuasão e divide em passos o caminho a ser traçado para o sucesso social. Não critique, aprecie. Se interesse, ouça. Sorria, lembre nomes. Faça o outro se sentir importante. Respeite opiniões diferentes da sua. Admita seus erros. Encoraje.

Verdades, óbvias até. Mas quando precisam ser atitudes requerem treino e repetição até se tornarem hábito e se transformarem em amigos, influência e open bar na vida.

Não sou Carnegie Hall, mas também tenho uma dica de como fazer amigos e influenciar pessoas: LEVE COMIDA.

Levar comida abre portas, acredite. Você vai estar carregando a comida, vai estar com as mãos ocupadas e alguém vai se oferecer para abrir a porta para você. Pronto, uma porta aberta.

Quando você carrega comida as pessoas ficam curiosas, querem saber o que é, se é aquilo que está cheirando bem, onde vai ser servido, se podem comer um pedaço. Mesmo quem não quer comer vai pedir, só para quebrar o gelo, para puxar conversa.

E isso acontece mesmo. Uma parte do meu trabalho é montar mesas de merchandising em programas de TV – aqueles inserts de marcas que aparecem ao longo dos programas. Eu vou para o estúdio carregada de comida, nunca falo com ninguém e todo mundo puxa-assunto. É batata. Já fiquei melhor amiga de contrarregra, ganhei Olá do Mc Guiné, dei paçoquinha pro Marquito e ganhei beijo do Raul Gil. Não puxo assunto, mas carrego comida, então o assunto já está ali.

Recomendo essa tática de influência também em festas. Vai ter comida na festa, eu sei, mas brigadeiro e bala de coco nunca é demais. Chegue com um pacote e você vai ser levado direto à cozinha, que é sempre o coração das festas. Ou já vai poder oferecer bala para todos no salão e ter um assunto instantâneo: Quer bala? Quero! Que bala boa! De onde é? Ah, eu compro perto do meu trabalho. Onde você trabalha? E por aí vai…

Dale Carnegie que me desculpe, mas fazer amigos e influenciar pessoas é muito mais fácil do que ele dizia.

 

 

Um café na Casa TPM

“Estilo Tastemade” é o que mais tenho ouvido falar no mercado quando se trata de videos. As edições velozes, as boas sacadas e as receitas mais curtas que aquele miojo que salva estão em voga, e começam a sair das telas e tomar a vida.

Um dos cursos que montei que mais fez sucesso foi o de “10 receitas de 10 minutos” uma maratona contra o relógio que foi bem divertida de correr. Há uns dias dei uma outra aula ainda mais veloz: ensinei 5 receitas com café, num intervalo de 20 minutos. Recorde absoluto, Tastemade em carne, osso e cheiro de café fresquinho.

A aula foi ótima, na Casa TPM, que estava linda e florida e diversa e fascinante. O pessoal da Dolce Gusto nos recebeu com toda hospitalidade no espaço deles e os alunos ficaram esperando as receitas que passei para fazerem em casa. Estão aqui, turma:

Café & Tônica

. 1 shot de espresso

. gelo a gosto

. água tônica para completar

Em um copo, coloque o café, o gelo e complete com a tônica. Cheers.

Smoothie de café com coco

. 100ml de leite de coco

. 1 banana

. 1 dolce gusto cappuccino

. canela a gosto

Bata tudo no liquidificador. Beba.

Calda de café

. 2 ameixas secas picadas, sem caroço

. 3 colheres (sopa) de açúcar

. 1 ristreto

Em uma panela, leve os ingredientes ao fogo ate ferver. Sirva no iogurte, no sorvete, no bolo, no leite…

Tiramisu de copo

. 2 colheres (sopa) de mascarpone ou creme de ricota

. 2 colheres (sopa) de creme de leite

. 2 colheres (sopa) de açúcar

. biscoitos

. 1 café lungo

. cacau para polvilhar

Em uma tigela, misture o queijo, o creme e o açúcar. Banhe os biscoitos no café e coloque uma camada no copo. Adicione metade do creme, coloque outra camada de biscoitos e cubra com o restante do creme. Polvilhe com o cacau e acabou.

Brownie falso

. 1 xícara de creme de avelã

. 1 xícara de biscoitos quebrados

. 1/2 xícara de nozes ou caju

. 3/4 de xícara de leite condensado

. 1/4 de xícara de cacau em pó

. 1 shot de café ou de chocolate quente

Em uma tigela, misture bem todos os ingredientes. Espalhe em uma forma protegida com papel-manteiga. Corte quadrados e mantenha refrigerado.

© Mixirica. Tudo nosso.

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